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Quando transformações começam e ainda estão na fase de ideação, o ambiente fica cheio de entusiasmo, ideias e uma crença de que fazer mais trará melhores resultados. Mas em nossa experiência, essa é uma armadilha. Na realidade, menos é feito porque equipes são puxadas em diferentes direções. Equipes de execução perdem tração, equipes de liderança vivem a fadiga das decisões e o pico de energia inicial vira frustração. O fardo é ainda mais agudo em áreas com recursos restritos – de talentos, capital, tecnologia – em que demandas competem entre si, podendo desacelerar o ritmo da transformação.

O verdadeiro fator de sucesso em uma transformação não é quantas iniciativas são lançadas. É a coragem de pausar, focar novamente e investir apenas em métricas que realmente importam. Na prática, isso significa fazer escolhas difíceis. As empresas muitas vezes conseguem alcançar 80% do valor de uma transformação ao focar em cerca de 20% das iniciativas (veja o Gráfico 1). Isso parece simples, mas definir prioridades exige um processo estruturado e transparente, que analise todo o pipeline de frentes de trabalho e iniciativas, tanto as necessárias para manter o negócio funcionando, quanto as necessárias para transformá-lo, e então avalie o impacto esperado e os possíveis trade-offs.

Em uma transformação típica, um conjunto de iniciativas entrega a maior parte do valor

Quando as empresas usam essa abordagem, elas geram vitórias antecipadas que geram motivação e confiança nos esforços de mudanças gerais, ao mesmo tempo em que dão aos times clareza e alívio de que os líderes são decididos e que estão levando a empresa em direção ao que é mais importante. Isso pode alterar as chances do sucesso da transformação a longo prazo a favor da empresa.

Quando tudo é urgente, nada é urgente

O histórico geral de transformações empresariais é desanimador. Uma pesquisa do BCG identificou que cerca de 70% das transformações não atingem seus objetivos. São programas amplos e complexos, que exigem muito tempo, energia e recursos da liderança. No ambiente atual, o desafio é ainda maior: as empresas já estão trabalhando em alta velocidade para se manter em dia com mudanças geopolíticas, mudanças rápidas em tecnologia e de comportamentos de clientes, lacunas de talentos, restrições de suprimentos e uma constante pressão de custos. Determinar prioridades pode aliviar esses desafios, mas as empresas têm dificuldade em fazer isso. A ciência comportamental apresenta as razões pelas quais estabelecer prioridades é tão difícil:

Em processos de transformação, as pessoas sentem que tudo é urgente, o que torna difícil dizer não para algumas coisas. As equipes não sabem no que focar e o tempo e a energia se dissipam e nada muda.”

Foque no que mais importa

Essencialmente, priorização é sequenciar o trabalho para maximizar o valor de uma transformação. Esse processo inclui realizar o trabalho certo no tempo certo e com os recursos certos. Estabelecer prioridades claras permite que iniciativas estrategicamente importantes tenham recursos e atenção suficiente da liderança. Isso ajuda as equipes a enxergarem o que é urgente e o que pode ser adiado (ou cancelado). A priorização também mostra para as pessoas como suas contribuições influenciam diretamente as métricas mais importantes da empresa.

A priorização também é uma demonstração de empatia com empregados da linha de frente e gestores, por reconhecer que essas pessoas têm limites em suas capacidades. Esse olhar pode fazer com que o processo de transformação pareça mais factível e não excessivamente intenso. Ele estabelece uma credibilidade importante para os líderes ao ressaltar que eles estão dispostos a fazer trocas intencionais para ter sucesso no longo prazo e que eles estão moldando a transformação com os empregados em mente, não apenas a partir dos objetivos de negócios da liderança.

Quatro passos para determinar prioridades efetivas

O estabelecimento de prioridades pode acontecer em diferentes etapas do ciclo de vida da transformação, mas é muito importante que isso ocorra pelo menos uma vez na fase de planejamento, antes que o programa comece oficialmente. Isso exige um investimento de tempo e trabalho logo no início, mas também economiza esforços significativos no futuro, aumentando a certeza na execução.

Especificamente, o processo de priorização passa por quatro passos. (Veja gráfico 2)

As empresas devem seguir quatro passos para determinar prioridades efetivas em uma transformação

As prioridades de cada empresa vão depender de suas situações únicas, incluindo expectativas da liderança, restrições de capital e limitações de recursos.”

Não existe uma resposta universal para todas. As prioridades de cada empresa vão depender de suas situações únicas, incluindo expectativas da liderança, restrições de capital e limitações de recursos. Mas os líderes precisam ser intencionais, para que escolham suas prioridades de acordo.

Nem todos esses fatores são sempre importantes, mas durante a maior parte do tempo as empresas precisam avaliar as limitações que enfrentam nessas áreas e ajustar o plano de acordo.

Envolvendo stakeholders

Ao determinar prioridades, é extremamente importante envolver stakeholders para gerar interesse e um senso de pertencimento. O processo inevitavelmente envolve tomar algumas decisões difíceis e aqueles que têm projetos que não são priorizados podem achar que seus trabalhos têm menos valor. Por esse motivo, as empresas precisam comunicar diretamente seus objetivos com a transformação para melhorar a performance da empresa como um todo. Alguns pontos de comunicação que as empresas devem buscar:


As transformações são desafiadoras e as empresas costumam realizá-las em resposta a uma necessidade urgente de mudança. Mas mergulhar em uma transformação sem estabelecer prioridades é uma receita para o fracasso, similar a começar a construir uma casa sem um projeto de engenharia. Líderes de transformação que param para priorizar podem agir mais rápido e com um foco maior e assim atingir melhores resultados.